História de amamentação Cláudia Sequeira

A minha história de amamentação começou ainda na gravidez. Ou talvez muito antes disso. Começou na história da minha mãe.

Antes de engravidar não tinha opinião sobre este assunto. Sabia que vivia rodeada de mulheres que nunca tinham amamentado. Esse era o meu “normal”. Amamentar ou não era igual. Porque não era a minha história e porque não conhecia nada sobre o tema.

Quando engravidei surgiram as primeiras dúvidas. As minhas dúvidas assentavam em “Porque não vivi eu rodeada de amamentação?”. Quando questionei a minha mãe sobre a sua história, percebi que afinal eu já tinha um passado com a amamentação. Fui amamentada até aos 9 meses em exclusivo devido a problemas de saúde graves, sendo esta a única maneira que tolerava ser alimentada, mesmo após os 6 meses de idade.

Comecei a construir as minhas muralhas. Muralhas essas que iriam ser os meus alicerces e as minhas defesas. Ingressei em grupos de maternidade, grupos que defendiam o aleitamento materno com base nas recomendações oficiais da OMS e muitos outros relacionados com a parentalidade e fui absorvendo informação e fui transmitindo essa informação pelos mais próximos.

Com o evoluir da gravidez foi sendo mais claro para mim o que queria para a minha história. E esse pensamento ganhou força e vida e não existiam dúvidas: tinha tudo para dar certo. Sabia o que esperar e o que não esperar; muni-me de contactos e sabia a quem recorrer quando as coisas não corressem como esperado. As imagens que os mais chegados me iam colocando na mente, mesmo que apenas preocupados, alertas e apoiantes, eram totalmente contrárias ao que esperava para nós. À minha volta falava-se em gretas, dor, insuficiência. No entanto, já em mim crescia o único ser que me iria mostrar o que é amamentar (para nós).

À porta do novo ano e nas mudanças para uma nova casa, tive os primeiros sinais de trabalho de parto. Com 38 semanas e 2 dias, nasceu aquela que despertou em mim o amor pela amamentação. Nascida de um parto, que meses depois consegui perceber ter sido bem diferente do que desejava – sem mobilidade, recurso a líquidos/medicação e episiotomia sem sequer ter sido informada – a R já vinha ensinada. Contacto pele a pele desde o primeiro segundo de vida e a primeira mamada ainda no recobro, iniciámos a nossa caminhada em perfeita sintonia.

Costumo dizer que não podia ter sido mais fácil. O que eu não sabia ela ensinou-me. E eu entreguei-lhe tudo de mim.

Nos primeiros dias, ainda na maternidade, a tensão – e, talvez, também a dor da episiotomia – fez-me sentir desconfortável a amamentar sentada. As enfermeiras diziam que a tensão se via nos meus ombros subidos e eu não conseguia relaxar. Mas deitada, deitada tudo fluía. Não havia dor, desconforto, tensão. Só havia eu e a R, encostadas, a inalar aquele odor a amor! (E a suor também, mas o amor sobrepunha-se!)

Em casa, vivemos uma Lua de Leite intensa. Tive as primeiras dificuldades com a subida de leite. Comprei uma bomba em modo desespero e contactei pela primeira vez uma CAM (conselheira de aleitamento materno). Fui desaconselhada de extrair (já após tê-lo feito meia dúzia de vezes) para que não aumentasse ainda mais a produção e não prolongasse mais toda a situação. Valeram-me as couves do quintal da minha mãe que me ajudaram a diminuir o desconforto após as mamadas.

Desde o primeiro segundo que amamentei em Livre Demanda. Tanto demandava ela a sua necessidade, como eu – no início, na subida de leite (colocava-a à mama mesmo quando não estava acordada para que me aliviasse) e mais à frente com os primeiros ductos entupidos.

O peso aumentava maravilhosamente, sem nunca nos termos preocupado com isso e até aos 7 meses não tinham ocorrido mais percalços. Nessa altura comecei a ter ductos entupidos quase diariamente e valeu-me, novamente, a ajuda das CAM com quem mantinha contacto e da humildade da enfermeira de família que pediu auxílio a quem entendia um pouco mais do assunto, incentivando-me sempre e mantendo-me sempre calma e confiante.

Poucas foram as dificuldades após isso. As primeiras gretas apareceram com o nascimento dos primeiros dentes superiores e apoio incondicional do pai e a confiança de que aquilo teria uma causa e uma resolução, tudo voltou ao caminho certo. Muitas foram as refeições apenas a leite materno até cerca dos 15m e quase sempre em exclusivo quando alguma efemeridade tomava conta da pequena R – ainda hoje assim o é.

Já em mim estava semeada a paixão pela gravidez e pela amamentação. E a constante informação a que tinha acesso era uma óptima ferramenta para apoiar as amigas que começavam na altura as suas aventuras. A oportunidade de fazer formação, e dar asas a um sonho que sentia reflectir a minha essência, surgiu. O grupo Dá-me maminha foi o primeiro contacto com a Rede Amamenta, onde senti uma ligação quase instantânea com os valores transmitidos. Realizei este ano o Curso de Assessoria de Lactação e começo a minha jornada no apoio às famílias.

Hoje, com 29 meses somos uma dupla maravilhosa! E a amamentação acompanha-nos em todos os lugares.

One thought on “História de amamentação Cláudia Sequeira

  1. Vera Alves says:

    Oi
    Estou tão mas tão orgulhosa de ti e do que tens feito que quase me parece uma vitória minha 😍
    Estou muito feliz por teres encontrado o teu caminho e por teres aceitado trilha lo.
    “Sou mais forte do que aquilo que pareço ser, tenho em mim toda a força e puder do mundo”
    🤩🙏🙏

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