Noites mal dormidas… o problema não é da mama!!!

Existem inúmeras benefícios para o bebé/criança amamentados, para a própria mãe e para a relação de ambos!

No entanto, quando surgem desabafos como este,

Não sei o que é dormir há meses, o meu bebé acorda quase de hora a hora para mamar… De dia, quando está chateado ou se se magoa só quer mama, mais nada o acalma…

rapidamente surgem vozes a desincentivar a amamentação, minando a confiança da mãe, já exausta e não raras vezes já debilitada física e emocionalmente, nomeadamente quando regressa ao trabalho. Afinal, cuidar de um bebé, ao mesmo tempo que concilia a vida familiar/doméstica com a vida profissional, em privação de sono, é um esforço titânico!
É preciso reconhecer que estas mães precisam de apoio, de todos nós! Dos que a rodeiam e dos que, estando fisicamente mais distantes, também podem contribuir!

O que não ajuda:

⦁ Comentários do tipo “é normal“, bem como relatos de meses (por vezes anos) de sofrimento de outras mães em situação semelhante, ainda que bem intencionados, só irão promover a culpa nesta mãe por não estar a “aguentar”!

Cada bebé/criança, mãe, família são únicos e vivem num contexto único. O “temperamento” do bebé, a existência ou não de rede de apoio familiar, a qualidade do relacionamento e de cooperação entre o casal, a existência de outros filhos, a existência de antecedentes de fragilidades físicas ou psicológicas/emocionais, o tipo de condições socioeconómicas da família, são alguns dos factores que contribuem para o grau intensidade com que cada mãe sente o desafio da maternidade.

⦁ Sugerir “tirar a mama” por considerarem que estas crianças estão “viciadas”.

Afinal, a mama não é o problema!!!

A mama providencia aos bebés, desde que nascem, alimento (físico e emocional), conforto, auto-regulação e segurança.

Quando sentem falta de algum destes elementos e se não começarmos a introduzir outras formas de os satisfazer, desde que nascem, apresentando-lhes outras formas de conforto,  os bebés/crianças irão continuar a recorrer, e de forma intensa, ao que até ao momento conhecem: à mama.

Que outras formas de conforto existem?

Todos os elementos que os ajudam a confortar, acalmar, a relaxar, a sentirem-se seguros e amados como, por exemplo.:

  • a contenção – através do colo, abraço, das mãos, babywearing ou swaddle; ‘pela a pele’, massagens, toque nutritivo (de amor), as festinhas (na cabeça, na testa, nas mãos);
  • sons calmantes, baixos, repetitivos (ex.: sons da natureza, repetir baixo e de forma gentil “shhhhhhh”; ou um mantra como “está tudo bem!”), cantar uma melodia calma e monocórdica…
  • embalo, …
  • … etc

Cada bebé é único e tem por isso preferências que irá dar a conhecer aos seus especialistas –  mãe/pai/cuidadores principais! Para ajudar o cérebro do bebé a integrar estas formas de conforto temos de os tornar familiares (presentes diariamente e de forma contínua) e associados a algo bom que lhes proporciona bem-estar/prazer, ou seja, vivenciados durante o dia/tarde quando bebé/mãe/pai estão ambos tranquilos e com as necessidades satisfeitas.

 

Sono e Mama!

 

O padrão de sono vai variando ao longo do desenvolvimento dos bebés/crianças.O que significa que os recém-nascidos começam por ter despertares frequentes (o que já está estudado como sendo algo positivo, por ser uma forma de manter a sua sobrevivência e de estimular a produção de leite), sendo que alguns deles precisam de ajuda para adormecer, assim como para reentrar no sono entre despertares.

 

Com o passar do tempo estes “hábitos” precisam de ser reajustados se o bebé mantiver um sono muito fragmentado e de pouca qualidade.

Quanto mais cedo os pais tomarem consciência desta necessidade, mais recursos terão para ajudar o bebé a evoluir para “hábitos” mais ecológicos e respeitadores das necessidades de todos. A aprendizagem de outros hábitos para ser gentil, exige tempo e disponibilidade (física e psicológica dos pais). O que significa que devem começar a fazê-lo quando ainda têm alguma energia, i.e., antes de chegarem ao ponto de exaustão!!!

Uma aprendizagem gentil pressupõe passar por transições suaves, pois está totalmente fora de questão fazê-lo de forma abupta, como deixar os bebés sozinhos a chorar!!!

Ex.: no caso dos bebés que só adormecem com a mama na boca, uma 1ª transição irá passar por conseguir ajudá-lo a relaxar à mama e tirar-lhe o mamilo antes de adormecer, mantendo-o perto da mama. Afinal, se escondermos o que eles mais desejam será normal que fiquem em alerta, despertando e criando mais resistências em adormecer.  Só passado 1 semana/10 dias, desde que eles aceitam a nova transição, é que introduzimos uma 2ª transição, … e por aí fora!

 

 

É aceitável que as mães se sintam cansadas, a amamentar ou não, mas existe um limite a partir do qual a fragilidade física e psicológica/emocional requer ajuda!

É nossa responsabilidade (mães) perceber quando é o momento de pedir ajuda!
Pedir ajuda não é falhar enquanto mãe, ou assumir que somos “fracas”, mas assumir que “dêmos tudo em campo” e que queremos mais e melhor para nós, para os nossos filhos, para a nossa família!

 

Cada mãe é suficiente tal como é!

E ser suficiente significa ter capacidade para pedir a ajuda que precisa (aos que a rodeiam ou a profissionais) para manter-se nutrida e energizada! Seja gentil consigo mesma!

Artigo de Inês Gaspar – Psicóloga Clínica & Infantil (Facilitadora Parentalidade Consciente)

Se precisam de ajuda por já terem tentado e não ter resultado, ou por não saberem como começar, podem contactar-me através da Amamenta Lisboa para consultas presenciais e online de Psicologia Infantil & Parentalidade Consciente . Agora também com a Amamenta Porto para consultas presenciais 2x/mês de Sono Infantil – Bebé Tranquilo .

 

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